<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/platform.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar/4787490945933533300?origin\x3dhttp://serespululantes.blogspot.com', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>

sábado, 13 de outubro de 2007

♥ Drowning Lessons

Com o intuito de não apanhar da Ferfa (a.k.a. Gwen), decidi postar aqui uma de minhas fics. Chama-se “Drowning Lessons”, e foi meio estranho o modo como ela foi escrita... Ela foi meio que psicografada (?). Eu estava sentada na frente do computador, simplesmente comecei a escrever e não parei até que a história estivesse terminada.
Como achei que ela estava comprida e parecida demais com um filme do Stanley Kubrick, eu decidi fazer algumas modificações antes de postá-la aqui... Então, voilá!

(obs. Quem estiver com preguiça de ler, passe para a postagem abaixo! Obrigada! ^^)
---

Eu passei direto pela recepcionista e entrei na sala, estava apressado. Sentei-me e sem nenhuma cerimônia comecei a falar, enquanto ele, atento a tudo o que eu dizia, fazia anotações em uma folha presa a uma prancheta transparente.
Já estava acostumado a essas consultas periódicas, não costumava ficar nervoso, mas desta vez eu estava... Sabia o que me aguardava ao sair dali.



Eu não consigo entender! Bem... Talvez eu consiga, apenas não queira.

Ela andava despreocupada pela calçada, com um sorriso tranqüilo no rosto, seus cabelos pretos, lisos e compridos presos num coque mal-feito e a franja caindo nos olhos. Usava uma saia verde-água que ia até os joelhos, uma regata branca e um all-star cano médio vermelho. Com a mão esquerda segurava sua velha bolsa preta de lona, que estava mal posicionada no ombro, e com a mão direita envolvia a cintura dele.
Eu soube que ele era cheff e tinha seu próprio restaurante, um restaurante fino no centro da cidade, mas dizia já estar cansado de toda aquela gente metida e esnobe que freqüentava o restaurante e decidiu fechar o lugar e montar uma banca de jornal, vendeu seu apartamento luxuoso, seu carro... Comprou uma casinha velha perto da banca e agora anda de táxi. Vê se pode! E ela ainda prefere ficar com ele!

Como eu pude deixá-la escapar por entre meus dedos? Foi tão difícil vê-la no meio da multidão, ela que me viu primeiro... E eu, depois de muito custo, me apaixonei. Agora eu a perdi, e como foi fácil perdê-la!

Eu era um gordinho, bobo, não tinha muitos amigos e todos eles eram esquisitos, como eu. Estava sempre distraído, desenhando, ou conversando com meus amigos sobre alguma idiotice qualquer.

Mesmo assim ela me viu e dentre todos os rapazes do colégio veio a gostar justamente de mim. Ela era a segunda integrante do Clube de Física, que possuía apenas dois integrantes, ela e o melhor amigo dela, Paul Sims, um magrelo que vivia com fones de ouvido, gostava de Michael Jackson e idolatrava a Madonna.

Eu só reparei nela por quatro vezes desde a nona série.

Depois disso só fui perceber sua existência uma semana antes do Baile de Formatura, quando descobri também seu nome: Meg. Eu, como a maioria dos garotos da nossa turma, era apaixonado por Cyndi, e, como a maioria dos garotos, também ganhei um “não” ao convidá-la para o Baile, pois, obviamente, ela iria com Tony, o campeão de Basquete.
Apesar de já ter previsto o que aconteceria, eu fiquei muito chateado, não por ela não ter aceitado meu convite, mas pelo modo como fez. Ela foi muito rude e teve intenção de me humilhar na frente de todos, apesar de não tê-lo feito, a intenção era clara. Foi então que encontrei um bilhete em meu armário:



Eu estive observando você já faz tempo e só agora tomei coragem de me pronunciar.

Sou do Clube de Física, aposto que você não sabe quem eu sou, mas, de qualquer forma, tenho que perguntar:

Quer ir ao baile comigo?



Com amor,

Meg.



PS. Responda-me, por favor, mesmo que a resposta seja
não.”



E, para a surpresa de todos, eu fui ao baile com ela.

Não sei bem o que deu em mim, só sabia que ela me amava, e era isso o que eu mais precisava quando entrei na faculdade.

Depois de, mais ou menos, dois anos juntos eu me apaixonei. Não sei bem quando foi isso, ou porque isso aconteceu, só sei que já não podia viver sem vê-la, sem abraçá-la... Sem mesmo notar, eu já a amava, assim como ela me amava.

Então eu terminei a faculdade de Artes Visuais e comecei a trabalhar num projeto, junto com alguns amigos meus. Foi mais ou menos quando decidimos morar junto. Ela era muito compreensiva em relação a meus atrasos e aos fins de semana que eu me dedicava ao trabalho. Ela sabia que era importante pra mim e quando nosso desenho foi recusado pela emissora ela me deu o maior apoio, ela sabia que eu tinha muitos problemas e eu tenho plena consciência da barra que ela teve que segurar enquanto vivia comigo.

Depois de muito chorar, reclamar, xingar, beber e mentir, dizendo que não ligava, o ataque terrorista de onze de setembro aconteceu e eu escrevi uma música a respeito. Não acreditava que isso ia dar em alguma coisa, até que ela a leu e ligou para meu amigo, Matt, que tocava bateria.

Eu havia me convencido.

A banda estava formada, músicas prontas, um bom nome (foi batizada pelo meu irmão). Tínhamos nossa van (presente da vovó) e estávamos começando nossa turnê, ela não gostava de aparecer e ninguém, além das pessoas muito próximas, sabia da existência dela, ela preferia assim.

Tudo estaria perfeito, não fossem minhas recaídas e exageros. Ela realmente podia suportar tudo, minhas crises de humor, minhas manias... Ou, pelo menos, eu achei que podia.

A banda passou por mudanças e, por causa de vários desentendimentos e para restaurar a harmonia da banda, achamos melhor que o Matt saísse, foi assim que o Bob entrou e foi mais ou menos nessa época que eu parei, definitivamente, de beber, você se lembra...

Mas algo ainda estava errado. Eu estava mudando.

Quase ninguém reparou nisso, nem eu, mas ela sim... E foi quando nosso relacionamento começou a fraquejar. Ela não conseguia mais enxergar aquele adolescente doce, e gorducho, por quem se apaixonara... E agora, reparando bem, nem eu mesmo consigo.

Havia começado a ficar frio com ela. Não estava irritado, apenas impaciente. Nem eu mesmo sabia o que estava acontecendo.

Não tinha nada a ver com a gravação do CD, mas eu teimava em relacionar as coisas.
Assim, algum tempo depois, quando eu cheguei a nossa casa, as coisas dela não estavam mais lá. Ela voltou, pra se despedir, e quando eu perguntei o que havia acontecido, ela me respondeu: “Você matou o meu amor e roubou seu corpo... Eu amo a ele e não a você. Desculpe, mas eu já não posso mais viver assim.”

Você deve imaginar o choque que foi ouvir isso. Eu não entendia o que ela queria dizer, mas não consegui dizer nada, era como se parte de mim concordasse com aquilo, por isso, assisti, imóvel, à sua partida.

Continuei fingindo que era tudo como antes, que nada havia mudado. Que eu não havia mudado...

Eu não sou eu mesmo e acredito que vai chegar uma hora que os outros começarão a perceber, assim como ela percebeu. E eu tenho medo de quando esse dia chegar. Eu tenho medo, mas já não consigo mais lembrar de como era ser eu. Eu não gosto dessa pessoa que me tornei, mas já me acostumei tanto a ela que nem sei mais como voltar a ser o eu de antes.

Eu tentei, tentei trazê-la de volta, a procurei por várias vezes, mas ela não queria mais saber de mim. Todas as vezes que nos encontrávamos eu virava essa pessoa que roubou o verdadeiro Gerard dela, tinha uma das minhas crises de egoísmo e a afastava novamente.

Eu mesmo rio de mim às vezes. Agora, por exemplo, me sinto um completo idiota usando essa argola imensa no dedo. Ela não liga, ela tem o jornaleiro dela agora.
Viu só? “Ela tem o jornaleiro dela agora”. Foi o que eu disse. E isso é exatamente o tipo de coisa que o antigo Gerard nunca diria.

Sempre que eu podia aparecia nos arredores de sua casa, aquele dia foi uma ocasião assim. Estava em um beco, olhando para os dois, enquanto iam ao restaurante onde costumavam almoçar. Estavam felizes. Meus pensamentos voavam em minha mente, eu a queria de volta, queria aquela felicidade pra mim, precisava voltar a ser o mesmo Gerard de sempre, mas pra isso eu precisava dela. Mas ela já tinha outro, não me queria mais, talvez eu devesse desistir, não devesse nem tentar mudar...

E como se ela ouvisse meus pensamentos, seu olhar se dirigiu ao beco. Como... Como se ela soubesse onde eu estava. Ela me viu e eu fiquei envergonhado de estar ali, vigiando-a.

Ela suspirou, seu sorriso sumiu. Abaixou os olhos e fitou o chão, ainda abraçada a ele.

Eu me senti ainda mais ridículo. Ela leu meus pensamentos... Só ela conseguia!
Agora não tem volta. Eu já a segui e me deixei ser visto, já fiz tudo o que não deveria ter feito. Tornei-me essa pessoa de quem eu tenho nojo e já me convenci de que não adianta mudar.

Eu a perdi e fiz com que ela me odiasse. E, agora, não apenas ela... Como eu também me odeio.

“Foi por isso que você voltou a tentar suicídio?”, ele me perguntou, quebrando o silêncio que mantivera desde o início da sessão.

“Na verdade... Eu... Eu perdi o controle.”, eu disse.



Eu parei de segui-la depois que ela me viu no beco, mas eu ficava remoendo aquela situação.

Eu não podia suportar a idéia de que ele fazia tudo o que costumávamos fazer em meu lugar, só de imaginá-lo com ela eu perdia a cabeça.

Então eu decidi ligar pra ela mais uma vez, chamei-a para almoçar, pedi que ele não viesse. Ela hesitou, enrolou muito, mas eu consegui convencê-la.

Eu conversei com ela, disse que estava tomando remédios, confessei que a história do anel era tudo invenção minha, mas fiquei com vergonha de revelar o motivo, por isso inventei uma história de que era pra acabar com as especulações da imprensa sobre minha vida pessoal, eu sempre fui muito discreto, nunca me mostrei comprometido e estavam começando a me pressionar muito, por isso decidi inventar um relacionamento que na verdade não existia.

Ela, como sempre, mostrou-se muito compreensiva e quando perguntou o motivo de eu chamá-la eu disse que era porque sentia falta de nossas conversas.

Antes de a comida chegar, ela foi ao banheiro e eu depositei uma droga calmante, uma espécie de sonífero, que eu consegui uns dias antes, em sua bebida. Eu estava fora de mim e quando a droga surtiu efeito eu inventei uma desculpa no restaurante, disse que ela estava desmaiada, que sofria de quedas de pressão e que eu a levaria para casa.

Mas eu, na verdade, levei-a para o meu apartamento. Com cuidado a coloquei na cama. O efeito da droga não duraria muito tempo, apesar disso eu não tinha pressa, de alguma forma eu esperava que ela estivesse consciente e que então percebesse que era a mim que ela amava.

Eu não sei o que deu em mim. Era como se eu estivesse possuído, eu não me comovia com o desespero de Meg, quando ela começou a recobrar a consciência.

Ela estava fraca e cansada, eu também estava cansado. O efeito do remédio que dei ainda demoraria alguns minutos para passar e ela acabou dormindo, ou desmaiando talvez, não sei bem. Só sei que ao vê-la, nua na cama, com aquela expressão tão perturbada e com o rosto molhado de lágrimas eu voltei a mim.

O que eu havia feito? A que ponto eu havia chegado? Ela não merecia aquilo, sempre foi tão boa pra mim... Não merecia ser tratada daquele jeito... Então, tudo o que consegui fazer foi chorar em desespero.

Eu estava sentado na cama, de costas para ela, não podia olhar seu rosto, com medo que acordasse. Então senti uma mão apoiar-se em meu ombro. Eu sabia que era ela e novamente agi por impulso. Apenas me atirei a ela e a abracei, ainda chorando e pedi perdão. Ela apenas me abraçou de volta, acariciou meus cabelos e me disse que estava decepcionada comigo.



“Bem... Você já deve entender, não é?”, perguntei.

“Sim, sim, perfeitamente. Você, após este episódio de, vulgarmente falando, surto mental, decidiu tirar a própria vida por sentir-se ridicularizado e por medo dos descontroles emocionais voltarem e acabar fazendo algo parecido em uma nova ocasião.”, ele disse.

Eu detestava o modo como ela traduzia os meus pensamentos.
“Ela foi vê-lo no hospital?”, ele perguntou



Ela apareceu no dia seguinte. Pude ver em seu rosto corado que ela veio correndo assim que soube... Ele estava lá, eu podia senti-lo, e tive certeza ao ouvir sua voz quando ela saiu do quarto.

Quando ela chegou, esbaforida, a primeira coisa que fez foi brigar comigo, como ela sempre fazia. Eu apenas me desculpei.

Ela começou a chorar. Disse que não sabia mais o que fazer e que achava melhor se afastar de vez de mim. Então eu disse que se ela o fizesse, aí sim eu me mataria de verdade. Ela ficou ainda mais brava e gritou comigo, disse para eu parar de ser criança, começar a dar mais valor a minha vida, disse que se eu não desse valor a ela, ninguém daria.

Ela disse que eu tinha que parar de tentar me matar, que um dia eu ia acabar conseguindo e disse que eu não sou tão imponente e invencível quanto penso ser, que um dia eu realmente conseguiria o que eu tanto tento. Aquilo me chocou, ouvir a verdade é chocante, ainda mais daquela maneira...

“Você tem que parar de vir correndo toda vez que esse maluco decidir que não quer mais viver. Você não vê que ele faz essas coisas de propósito? Que é só para chamar atenção? Você é boba, e vai estar sempre presa a ele!”, o namorado dela disse, quando ela saiu.



“Depois disso, você voltou a ter alguma crise?”, o doutor me perguntou.

“Não, depois disso não.”

“Você continua tomando o medicamento que receitei?”

“Claro...”

“Você sabe que essa sua obsessão egoísta em relação a esta menina pode acabar mal...”, eu não respondi, “Gerard, se me permite, gostaria de lhe dar um conselho.”
Não disse nada, apenas escutei atentamente.

“Afaste-se dessa menina, vai ser melhor pra você e vai ser melhor para ela também.”, ele disse.

“Obrigado, doutor.”, eu disse ao sair, “Mas acho que seu conselho veio um pouco tarde.”

Ele não entendia o que eu queria dizer, mas eu entendia bem. Ah, se ele soubesse...



Com ele foi fácil. Eu não senti nada.

Mas com ela não... Foi difícil. Oh, como foi difícil!

Ver o brilho daqueles olhos se apagando silenciosamente... Foi uma agonia para mim, sentir aquele corpo quente tornando-se cada vez mais frio. Minhas mãos sujas de vermelho... Com o sangue que eu queria que corresse nas veias de um filho meu.
Mas essa pedra brilhante em seu dedo anelar era mais do que eu podia jamais suportar. Eu não podia vê-la com o vestido de noiva que deveria ser usado no meu casamento. Aquela imagem em minha mente não me deixava em paz, eu tinha que terminar com aquilo!

Eu terminei. Da forma mais dura, mas terminei.

Voltando lá eu mudei de idéia. Acabei armando tudo para que parecesse um acidente, o incêndio, a explosão... Já podia visualizar tudo em minha mente, mas ainda não podia suportar a idéia de seu corpo sendo consumido pelas chamas. Eu queimei a casa, mas apenas ele estava lá quando eu o fiz. Não tive coragem de deixá-la com ele, ao invés, levei-a comigo a um lugar onde ninguém a encontraria.

Seria meu último “último beijo” e seus lábios estariam frios.

Talvez eu já não me importasse...

Se eu me arrependo? Às vezes... Mas quando eu a vejo naquele vestido de noiva imaginário que costurei com as sombras da minha mente, tudo volta. E, quando isso acontece, eu pego o anel que um dia esteve manchado de vermelho e imagino como seria se eu o tivesse comprado. Então eu sinto o gosto do champagne barato com que comemoraríamos, cortesia do hotel onde estaríamos na ocasião. Eu sinto a bebida descer pela minha garganta, ela não se importa. Quando nos casássemos eu não beberia mais, não seria mais indiferente nem egoísta, não me deprimiria, não tentaria mais me matar.

Com aquele champagne barato, celebraríamos o fim de tudo.

E daqui pra frente será assim, viverei sozinho, a esperar o fim de tudo, sabendo que ela estará sozinha também, a esperar por mim... Só por mim.

♥ Thank you

♥ Past rawr-ing