Estive pensando... Na verdade eu estava dormindo, mas acho que isso não importa muito agora, o que importa é que quando eu acordei me veio um pensamento, sei lá de onde, que eu já deveria ter tido faz tempo. É certo crescermos assim?
Quando eu era pequena (e quando eu digo pequena eu quero dizer em torno dos 6 anos de idade), eu não reparava em muitas coisas, eu era muito curiosa e me deslumbrava e me encantava com coisas muito diferentes das que me encantam agora. Quando eu era pequena eu já gostava de filmes de terror, de séries de ficção científica e histórias medievais, mas por motivos diferentes dos que me fazem gostar de tudo isso agora. E quando eu era pequena eu não tinha preconceitos e nem criava estereótipos. Eu gostava de ciências porque achava que era como mágica, gostava de português porque amava ler, e de matemática porque achava que aquelas equações preenchiam tão bem o papel quanto um desenho, gostava de inglês porque era sonoro e de artes porque eu adorava desenhar, de história porque eu achava fascinante saber como era a vida no passado... Enfim, eu era muito diferente, e agora olhando para trás eu acho que eu era muito melhor.
É claro que eu também era ingênua e chorona, mas eu via o mundo de uma forma muito mais filosófica, eu via o mundo com a mente muito mais aberta e talvez eu não fosse assim tão ingênua, apenas confiasse que as pessoas fossem boas até que se provasse o contrário, diferente do que faço agora.
Eu não reparava em características físicas quando eu era pequena, pra mim pessoas eram apenas pessoas, não eram loiras, ruivas, japonesas, negras ou morenas, eram pessoas. Se uma garota usando top e minissaia viesse conversar comigo eu conversaria normalmente como conversava com qualquer pessoa que viesse falar comigo, mas hoje acho que eu não conseguiria fazer isso pelo simples fato de já ter criado todo um perfil para alguém que esteja vestido assim. Acho que muita gente me diria que isso é bom, que faz com que a gente tenha o pé atrás e não se envolva com as pessoas erradas. Mas como é que a roupa da pessoa, a cor da pele, do cabelo, a etnia ou a religião podem nos alertar da pessoa errada ou certa? Como poderia ser bom viver confiando, ou não, em pessoas só pela aparência ou pela religião?
Meu tio Jorge é um bom exemplo, eu lembro dos meus outros tios conversando sobre o fato de ele confiar demais em pessoas só pelo fato de elas serem mórmons. Meu tio é pastor mórmon, minha avó é mórmon e grande parte do lado paterno da minha família também (eu deveria ser, mas optei por não me apegar a religião nenhuma), e meu tio tinha a ilusão de que qualquer pessoa que fosse mórmon era digna de confiança, era boa. Ele havia criado um estereótipo para pessoas mórmons, e eu só digo uma coisa: isso o trouxe muitos problemas!
A situação é que eu percebi que a gente começa a criar essa visão de mundo conforme a gente cresce, que com a maioria das pessoas é igual, quando elas são crianças o mundo é MUITO diferente, conforme a gente cresce a gente pára de ter uma visão ampla de tudo e começa a ter uma visão muito superficial das coisas, passamos a nos importar muito com o que a sociedade impõe, e ao que estamos vendo, em detrimento da essência, do interior. O pior de tudo é que eu comecei a perceber que essa visão já começou a ser incutida nessa nova geração de seres humanos (e com isso eu quero dizer: nas crianças de hoje), já repararam em como elas se tornam superficiais mais rapidamente? Em como elas criam uma visão prejudicialmente "adulta" cedo demais? A rapidez com que elas escorregam pela pelagem do coelho (quem leu O Mundo de Sofia irá saber do que falo)?
Será que deveríamos mesmo ser assim? Crescer assim?